A mutação de um só gene há cerca de dois milhões de anos desencadeou uma série de mudanças no que finalmente se transformaria na espécie humana moderna, entre eles a capacidade para correr, segundo um estudo divulgado nesta terça-feira na revista “Nature”.

Um grupo de pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia descobriu que a inativação de um gene chamado CMAH, que permite a síntese de um açúcar chamado Neu5Gc, provocou grandes diferenças em relação à maioria de primatas.

Ao mesmo tempo em que aconteceu esta mutação genética, os antepassados dos humanos começaram a andar erguidos e se produziram mudanças muito rápidas em sua biomecânica e na fisiologia do esqueleto que deram como resultado pernas mais longas e elásticas, pés maiores e músculos mais potentes.

Estas significativas mudanças potencializaram a capacidade humana de correr longas distâncias, permitindo melhorar suas técnicas de caça para alimentar-se, segundo os cientistas.

Para realizar o estudo, o autor principal, o professor Ajit Varki, e sua equipe avaliaram a capacidade para correr de ratos que também careciam do gene CMAH.

Os cientistas puseram os animais para correr em esteiras e notaram um aumento no rendimento, assim como uma maior resistência à fadiga e mais capilaridade para aumentar o fornecimento de sangue e oxigênio.

Dessa forma, os dados coletados no experimento sugeriram que a perda do gene CMAH contribuiu para uma melhoria da capacidade muscular.

“Se estas descobertas foram transferidas a humanos, é possível que tenham proporcionado aos primeiros hominídeos uma vantagem seletiva para se transformar em caçadores-coletores”, concluiu Varki.

Crédito: EFE | Londres

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