Nascida em uma família humilde de Goiânia (GO), a dona de casa Silvany Alves Crisóstomos, de 56 anos, precisou abandonar os estudos para se dedicar exclusivamente ao trabalho.

Com apenas 12 anos ela dividia o tempo em ajudar a mãe na criação dos nove irmãos e o trabalho doméstico em residências de vizinhos e amigos da família.

Com o passar do tempo veio o casamento, mas por intolerância do marido, Silvany permaneceu afastada das salas de aula.

A vida da dona de casa começou a mudar após a separação do cônjugue e mudança para o Estado de Mato Grosso.

Residindo em Nova Ubiratã há 18 anos, ela decidiu recomeçar a vida.

O sonho de aprender a ler e a escrever estavam mais vivos do que nunca e a ajuda veio da Prefeitura Municipal, através do Programa de Alfabetização de Adultos.

“Por várias vezes achei que jamais voltaria a entrar numa sala de aula. A impressão é que estou sonhando. Estou me sentido viva novamente”, disse ao participar da aula inaugural.

História semelhante tem o trabalhador autônomo, José Gomes Barbosa, 57. Natural de Alvorada do Norte (GO), ele também foi obrigado a se afastar dos estudos para se dedicar única e exclusivamente ao trabalho ‘na roça’.

“Eu sempre pedia ao meu pai que me deixasse estudar (sic), mas a resposta sempre era um não!”, relembra.

“Pra falar a verdade hoje eu entendo a situação dele [pai]. Nós éramos uma família grande e eu e meus irmãos mais velhos tínhamos que ajudar na lida com o gado, lavoura e demais afazeres. Os únicos que tiveram oportunidade de estudar foram meus irmãos mais novos agora eu estou aqui, dentro de uma sala de aula e com um desejo enorme de recuperar o tempo perdido”, otimista revela.

Dona Silvany e seu José fazem parte de um grupo de 31 alunos que por motivos adversos não tiveram acesso a educação pública.

Desenvolvida por meio de uma parceria entre as secretarias de Assistência Social e Educação, o Programa de Alfabetização tem duração de quatro meses e prevê, entre outros, a inclusão social e a inserção no mercado de trabalho.

As aulas são ministradas, período noturno, no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Jardim Vitória.

Ao final do curso os alunos recebem uma declaração atestando que estão aptos a ingressarem no Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

“Essa é a primeira vez que o município investe em um processo de aprendizado como este, portanto, meu desejo é que vocês continuem sedentos por conhecimento e aproveitem essa oportunidade”, enfatizou a secretária adjunta de Educação, Elisabete Wurzius.

Amor a profissão

Se para alguns o Programa de Alfabetização é sinônimo de recomeço, para a universitária Ângela Lopes ele trás a oportunidade de ampliar o conhecimento profissional.

Estudante do 3º ano de pedagogia, ela se inscreveu para trabalhar voluntariamente como auxiliar de classe.

“Retransmitir conhecimento é algo muito prazeroso, ainda mais nesse caso em que estaremos lidando com alunos de diferentes idades. Eu sempre sonhei em ser professora saber que estarei contribuindo para que essas pessoas realizem seus sonhos é muito gratificante”, disse com os olhos lacrimejados.

Outra que não escondeu o entusiasmo foi à professora da recém-criada turma, Giane Bernini.

Graduada em pedagogia e pós-graduada em Arteterapia e Arte na Educação, a profissional se emocionou ao ouvir os depoimentos de alguns alunos.

“Quanto entrei na sala fiquei surpresa pelo grande número de alunos, alguns rostos são conhecidos, são mães, pais, tios e até avós dos meus alunos da rede municipal de ensino. É uma sensação indescritível poder partilhar dessas histórias de lutas e superações”, assinala.

Crédito: Assessoria da prefeitura

No Banner to display

Os comentários estão fechados.