Por Mylena Petrucelli

IMG_0413 Você sabe o que é Tantra? Muitas pessoas já ouviram falar, algumas ficam curiosas, outras não conhecem e também há quem rejeite por achar que é algo imoral.

O terapeuta tântrico Thiago Gopi explicou tudo sobre o tantra e o trabalho que desenvolve no Instituto Metamorfose, em Cuiabá, na busca pelo desenvolvimento da sexualidade, afetividade e expansão da consciência corporal.

Thiago veio até o GPS Notícias e compartilhou sua experiência com as massagens corporais e íntimas que são feitas nos interagentes, nos benefícios que vão muito além do sexo, pois melhoram a vida profissional, pessoal, as relações interpessoais e equilibra possíveis disfunções emocionais.  Confira:

GPS Notícias: Como você começou a trabalhar com isso? Como esse modo de vida tântrico entrou na sua vida?

Thiago Gopi: Começou como uma busca pessoal, não algo profissional. Eu sou formado em uma área totalmente contrária, não trabalho nem com a saúde. Tenho formação em Comunicação.

 

GPS Notícias E há quanto tempo começou essa busca?

Thiago Gopi: Há três anos atrás. Eu tinha algumas coisas pautadas na minha vida que eu gostaria de melhorar como pessoa. Se autoconhecer envolve várias facetas nossas; a gente precisa se autoconhecer dentro de uma religião, como relação interpessoal. Então era isso que eu busquei. Cheguei em uma certa idade, 27 anos, e pensei que podia melhorar em muitos aspectos que não estão me agradando.

 

GPS Notícias: Como você partiu para esse aspecto mais sexual? Como partiu seu interesse, suas primeiras experiências?

Thiago Gopi: Era uma das áreas que eu gostariadessa evolução. Eu não tinha uma disfunção específica, como alguma disfunção que eu gostaria de revertê-la, porque a gente não trata como doença nem como cura. São desenvolvimentos. Você adquire uma disfunção, ela não nasce com essa disfunção – tirando as pessoas com má formação física que veio do nascimento. Tirando isso, o resto a gente desenvolve e a gente pode reverter. Eu sentia que o sexo não era só aquilo. Eu comecei a pesquisar e uma das pesquisas me levou ao tantra. Comecei a ler muito, pesquisar em sites, e em Cuiabá não encontrava nada próximo a mim que pudesse vivenciar, saber se é ou se não é, se era para mim. Porque nada é para todos. Tem pessoas que passam pelo tantra e tem afinidade e tem outras pessoas que não, e aqui eu não encontrava nada. Comecei a pesquisar nos grandes centros e fiz uma viagem para Florianópolis e lá eu pude realmente vivenciar. Era uma unidade do Metamorfose assim como a gente abriu em Cuiabá uma e eu pude fazer tanto a massagem, passar pela vivência, quanto o curso individual porque eu gostaria de aprender.

 

GPS Notícias: Vocês desenvolvem vários tipos de massagens como vários objetivos, gostaria que você explicasse um pouco como é esse trabalho.

Thiago Gopi: A massagem é o conjunto da terapia. A terapia tem uma vivência de um hora e meia a duas horas de cada sessão. Nós reservamos uma parte dela para essa conversa entre terapeuta e interagente. Nós não chamamos de paciente porque lá ninguém vai doente, são interagentes. Nós separamos um determinado período para desvendar o que a pessoa realmente deseja, qual é o objetivo dela dentro da terapia. Tem pessoas que chegam com algumas disfunções mesmo, como as emocionais, que são ansiedade, depressão, síndrome de pânico; e tem as disfunções já sexuais, que é desequilíbrio no libido, para os homens ejaculações retardadas ou precoce, mulheres que não sentem orgasmo ou dores nas relações. A gente sabe que todas essas disfunções sexuais vieram do emocional, quase que todas. Se a pessoa não nasceu com má formação no seu órgão genital e desenvolveu algum tipo de disfunção, veio de uma patologia psicossomática. Essas patologias que são da psique, são do emocional e isso vai para o corpo. A terapia atua nisso.

 

GPS Notícias: E quando a pessoa se sente constrangida para falar de seu íntimo, da sua vida sexual, como vocês lidam com isso?

Thiago Gopi: É comum as pessoas não se abrirem no início. Nós temos técnicas para que o corpo responda. É muito fácil a gente tirar um diagnóstico pelo corporal. Nós deixamos o interagente trazer aos poucos o que ele deseja. Como se trata da sua intimidade, eu não posso invadi-la. Mesmo sendo um profissional que ele buscou. Até pelo processo de desenvolvimento atuar de uma forma mais tranquila e até melhor para ele. Quando ele se abre, entrega, a coisa flui. O processo dele tende a ser mais eficaz e mais rápido. Às vezes a gente já sabe qual é a demanda, mas aguardamos a pessoa falar. Como eu havia dito, vem tudo do emocional. Se não resolvido, isso vai para o físico, e a parte física do nosso corpo registra tudo que nós passamos na vida. Se você está tranquilo e bem resolvido, aquilo não vai te causar sintoma nenhum. Se você não está tranquilo, isso vai te gerar alguma dor fisicamente. Às vezes é um incômodo, uma dor muscular, uma disfunção ligada ao sexo e nesse início nós fazemos uma varredura corporal e então reprogramamos o corpo, porque nós temos neurotransmissores no músculo e conforme a gente ativa a bioeletricidade nesse corpo, ela passa por esses neurotransmissores e recodifica.

 

GPS Notícias: Tudo isso acontece com o toque? Como funciona esse toque nas massagens?

Thiago Gopi: É um toque suave sob a pele toda. É o corpo inteiro: da pontinha do dedo ao couro da cabeça. Depois nós vamos avançando a entrar nas massagens íntimas porque boa parte do emocional está ligado ao afeto, está ligado ao amor, e às vezes está ligado ao amor também. As relações trazem muito do sexual nelas, desde o nascimento, da criança com os pais. Se a gente reparar, a criança é puro prazer. É estranho falar isso, nos causa uma estranheza, mas a criança é tão inocente e sente prazer. Se você passar a mão na nuca de uma criança, ela morre de rir. Ela é sensorial. Nós vamos perdendo isso ao longo da vida, ou pela crença religiosa, a cultural social que você vive, ou seus pais vão te reprimindo: não pode sentir prazer aí, não toque essa parte do seu corpo.

 

GPS Notícias: Como você vê isso na sociedade de Cuiabá, pois você lida com os clientes que estão inseridos nessa sociedade, nessa cultura. Você vê que isso pode avançar com o tempo, com as pessoas mudando a mentalidade aqui?

Thiago Gopi: Quando eu iniciei foi bem difícil porque eu não sabia qual era a demanda da cidade, não poderia investir em um espaço apropriado somente para isso. Eu procurei algumas clínicas e alguns espaços em Cuiabá para iniciar uma parceria e muita gente fechou as portas. ‘Isso aqui não rola aqui dentro’, muitos empresários disseram jamais, e isso pessoas ligadas ao ioga, que já tem um histórico e conhecimento da cultura ocidental. Tive bastante dificuldade.

 

GPS Notícias: Voltando um pouco no seu currículo, você disse que começou a ler e estudar de uma forma autodidata. Mas para ser terapeuta, você precisou fazer um curso ou uma formação mais específica?

Thiago Gopi: A formação é realizada no instituto Metamorfose, que é um centro de pesquisa e desenvolvimento de sexualidade humana usando as técnicas do Tantra. É referência no Brasil e tem sede em Itapeva (MG) onde acontece a maioria dos cursos, workshops e formação de terapeutas. Nós também damos cursos aqui, mas o curso que a gente dá é mais para pessoas que querem aprender somente a técnica para praticar com parceiros. Mesmo a pessoa que é solteira, nós damos o curso individual e também damos para o casal, como aprender a fazer a massagem no outro. Isso não substitui a terapia, porque ela tem esse cunho da pessoa ir, se expressar, por para fora qual é o objetivo ou qual é o problema que ela está passando no momento, algo mais íntimo. Nós ensinamos duas modalidades da massagem, a massagem corporal e a íntima, dependendo da opção sexual da pessoa.

 

GPS Notícias: Como é a massagem íntima? A corporal, como você mencionou, toca no corpo inteiro. E a íntima, é nos órgãos genitais mesmo?

Thiago Gopi: O objetivo dela é ativar esses músculos e tonificá-los. Para o homem é a tonificação muscular peniana e para a mulher a gente atua na musculatura intravaginal e na tonificação do clitóris. A gente compara a uma academia. Nós vamos para a academia exercitar todos os músculos para termos uma saúde corporal e não fazemos nada ligado aos nossos genitais.

 

GPS Notícias: Você poderia nos contar algum caso mais difícil que você pegou, ou que te surpreendeu?

Thiago Gopi: Alguns trabalhos são um pouco mais demorados para a gente reverter, outros casos de reversão que me surpreendem. Teve uma mulher que chegou totalmente descrente até com a terapia. A expressão do corpo dela era: eu não sei nem o que eu estou fazendo aqui, mas me falaram para vir. Eu disse: algo te trouxe aqui. Você quer compartilhar? Ela começou a contar aos pouquinhos, nós fomos conversando, até que ela chegou ao assunto que ela não podia mais ser tocada pelo marido. Sinto nojo dele, não sei, não posso chegar muito perto. Até para dormir nós estamos colocando uma toalha no meio da cama para não encostar nem à noite. Eu pensei: caramba! Mas isso não aconteceu de uma hora para outra, o que aconteceu? Ela disse que foi acontecendo ao longo dos anos, não sabia há quanto tempo e agora chegou ao impossível. Ela fez uma sessão e foi muito engraçado porque tem algumas sensações muito comuns, o corpo tem muita eletricidade. Quando a pessoa sente as sensações orgásticas, uma forte e intensa é o músculo do abdômen se contrair e outras são as vibrações, tem espasmos musculares, a pessoa até quica no colchonete. Eu fazia a massagem e essa pessoa nem se mexia, estava imóvel. No finalzinho da sessão, essa mulher começou a vibrar muito, muito intenso por ser a primeira sessão. Ela sentou e me perguntou: o que você fez comigo? O que é isso? E eu disse nada, é o seu corpo. Ela estava impaciente da reação corporal dela e foi embora tremendo ainda. Com uns 10 dias ela marcou o retorno. Quando ela chegou no consultório, a expressão corporal era outra. E aí, como foram esses dias, essa semana? Foram ótimos. E lá, como está o maridão? Está bem. Eu preciso te contar uma coisa, sábado nós fizemos amor. Eu disse, que legal, e como foi? Foi igual no início do casamento. Ela fez a segunda sessão e nunca mais me ligou.

 

Quem quiser vivenciar a terapia tântrica no Instituto Metamorfose, basta agendar um horário pelo telefone 8125-8417.

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