Trintona

Quando ela surgiu há 30 anos, completados nesta semana, a grande maioria dos pobres mortais ainda usava máquinas de escrever e nós, jornalistas, especialmente os focas, rasgávamos laudas e mais laudas enquanto o lead não aparecia. Era um consumo de papel capaz de deixar com urticárias à turma da sustentabilidade.

As pesquisas eram em livros, bibliotecas, arquivos públicos, universidades e, óbvio, em enciclopédias e almanaques. De forma presencial, como se diz atualmente. Além das ruas e das fontes tradicionais. As barrigas aconteciam, mas não em tamanha profusão como suas descendentes, as fakes news.

Não resta dúvida de que ela, a internet, e sua ferramenta de acesso, o computador, e mais recentemente tablets e smartphones, revolucionaram o mundo. Imagina não ter mais que ficar rasgando papel, para começar um novo texto. Basta usar as teclas delete ou backstage e começar tudo novamente. O futuro havia chegado. Trouxe também o assédio, a polarização agressiva das discussões, a invasão das informações pessoais, o hacking e suas inúmeras consequências. E, com ele, suas contradições. Cada vez mais perceptíveis e menos sutis. E cada vez mais arregimentando adeptos do obscurantismo e da barbárie, que podem se esconder no anonimato. Lembro-me de uma notícia, divulgada ano passado, sobre o linchamento de dois inocentes motivados por fake news disparada por Whatsapp. Acusados de sequestro de duas crianças, foram queimados vivos antes de qualquer prova.

Trouxe também o assédio, a polarização agressiva das discussões, a invasão das informações pessoais, o hacking e suas inúmeras consequências. Além da Deep Web ou Internet Profunda, citado por autoridades logo após a chacina de Suzano.

Segundo o autor da expressão, o americano Mike Bergman, ela pode ser comparada a uma rede lançada ao mar. É até possível pegar um peixe grande, mas a maior parte está no fundo, inacessível, impossível de ser enxergada pelos mecanismos de busca comuns. Muitas vezes são páginas com conteúdo ilegal, anônimas e criptografadas, e, portanto, muito usadas para crimes.

Assim como não se comete suicídio (pode-se até virar ermitão ou bicho-grilo), porque o mundo em que se vive não é o ideal, não se deixa de usar a internet por causa de seus defeitos. Até porque, ela já integra a vida de boa parte da população mundial.

É, como tudo nesta vida, um problema complexo. Enquanto não for solucionado, vai-se convivendo com ele e, alguns, tentando encontrar alguma saída. Carpe diem!

JAIRO PITOLÉ SANT’ANA é jornalista em Cuiabá.

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