Para, Pedro!

Edésio Adorno

governador Pedro Taques (PSDB), por iniciativa própria ou por orientação de algum cabeçudo palaciano, resolveu adotar o estilo da campanha publicitária daquele leite da Nestlé: bateu, tomou!

Assim, na base do grito ou do uso do liquidificador verbal, pretende fazer picadinho de seus eventuais adversários na peleja por mais um mandato. A estratégia, além de arriscada, é inapropriada para um chefe de governo. A população espera dos políticos, principalmente da pessoa do governador, parcimônia, equilíbrio, razoabilidade e ponderação no agir e no falar.

Penso que os vícios ou virtudes dos pré-candidatos ao governo, Wellington Fagundes (PR) e Mauro Mendes (DEM), não são determinantes para o sucesso ou o fracasso eleitoral de Taques, que já saiu da zona de conforto, tenta mitigar o prejuízo e iniciou penosa caminhada em busca de um segundo mandado de governador.

O eleitor, com base em critério objetivo, deve manter Taques no Paiaguás ou mandá-lo para casa. Taques será julgado nas urnas pelo que prometeu, fez ou deixou de fazer. Não há como terceirizar eventual insucesso administrativo e muito menos responsabilizar adversários pela enorme reprovação de seu governo – algo em torno de 60% de avaliação negativa.

Mauro Mendes deixou a Prefeitura de Cuiabá com alto índice de aprovação popular. Particularmente, entendo que foi um gestor mediano. O cuiabano, no entanto, entende de maneira diversa. Ele lidera a corrida eleitoral em todos os cenários, segundo revelam pesquisas internas.

Criticá-lo gratuitamente, além de incoerente, é perda de tempo. Mauro tem uma história como ex-prefeito de Cuiabá. Essa história será avaliada nas urnas. Aliás, o próprio governador avalia como positiva a gestão do democrata, quando esteve à frente da prefeitura da Capital. Tanto aprova, que pediu, implorou, chorou e fez de tudo para que o então aliado disputasse à reeleição.

Até poucos dias, Pedro Taques cantava loas e boas para Mauro. Era seu sonho de consumo ter o ex-prefeito em seu arco de aliança. Como ele resolveu seguir carreira solo, da noite para o dia, o vinho virou água e o mais cobiçado aliado se transformou em desafeto.

Isso é incoerência. Essa história de pensar que aliado não tem defeito e que adversário não vale um pequi ruído é ultrapassada.

Com o advento da internet, o eleitor passou a ter acesso ao Google e nele poder pesquisar a vida pregressa de qualquer pessoa ou candidato. Mauro Mendes não é investigado no caso Seduc, que gerou a operação Rêmora, seu nome não consta na Grampolândia Pantaneira e nem precisa suspender a agenda para visitar familiares presos no Centro de Custódia de Cuiabá.

Taques não precisa instrumentalizar possíveis defeitos de seus adversários para continuar no comando do governo. Taques tem seus méritos próprios ou não? Se tem, não precisa desmerecer adversários. Esse julgamento quem deve fazer é o eleitor.

Edésio Adorno é advogado em MT e escreve exclusivamente para este Blog toda sexta-feira. E-mail: edesioadorno@gmail.com

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