Por Wellinton Cunha

thiago 1Uma das cenas mais difíceis a ser gravada para a série “Cidade Invisível” necessitava de algum animal selvagem para dar certo. A produção se desdobrou por dias para achá-lo e chegou a comprar um porco-do-mato para a sequência, mas no momento da filmagem, como se tivesse sido escalado, um veado campeiro apareceu e a beleza do animal prevaleceu no final das contas.  Essa é uma das histórias que Thiago Foresti, criador da série, conta sobre a produção mato-grossense, que o público poderá conferir no primeiro semestre de 2017, na TV Brasil.

As gravações, parcialmente filmadas em Cotriguaçu, extremo norte de Mato Grosso, e no Pará duraram 83 dias e foram encerradas na nesta semana, apesar de todas as dificuldades, principalmente em relação ao orçamento. “Nós tínhamos poucos recursos para uma empreitada tão grande, mas todo mundo encarou como uma grande oportunidade e o resultado foi bem satisfatório”, afirma Foresti. O cineasta de 32 anos é formado em jornalismo, mas admite que a sua grande paixão é mesmo o audiovisual. Diretor de vídeos institucionais e documentários, essa é a primeira vez que ele lida com um projeto de tamanha complexidade.

Para sair do papel, a série foi aprovada no PRODAV 10/2014 do Fundo Setorial do Audiovisual, que destinou  recursos para produção audiovisual de TVs Públicas. A seleção deu oportunidade de trabalho a vários profissionais do setor, incluindo atores locais, em Mato Grosso e no Pará, estados que não possuem tanto investimento na área. No nosso estado, apenas outra série foi aprovada no edital, Pré Conceito, da Cerberos Filmes.

Os programas de apoio ao desenvolvimento audiovisual brasileiro têm ajudado a descentralizar a produção no país e se fortaleceram durante os governos de Lula e Dilma. Várias produtoras, como a Forest e a Cerberos tiveram a oportunidade de embarcar com apoio garantido na TV e no Cinema. Devido a este fortalecimento, o setor e diversas áreas de Cultura se uniram após a extinção do Ministério, quando Michel Temer ainda era presidente interino, e tiveram força suficiente para forçar o novo governo a voltar atrás.

Agora com o impeachment de Roussef consolidado, o audiovisual passa por momentos temerosos, no qual não há garantia de continuidade nos incentivos por parte do novo governo. Foresti considera o período nebuloso e aposta em cortes na área, mas apesar disso, se mostra confiante em continuar na carreira, pensando até mesmo em fazer uma segunda temporada com cenários e personagens diferentes. “Foi a coisa mais difícil que fiz, mas foi gratificante, algo que quero fazer para o resto da vida”, diz.

Sobre a série

Cidade Invísivel terá cinco episódios. Dirigida por Foresti e pelo cineasta brasiliense Renan Montenegro, a série se passa na paradisíaca e fícticia cidade de Nova Esperança, onde cinco personagens distintas – um prostituta, um garoto de rua, um funcionário de frigorífico, um lenhador e um médico – lidam com diversas formas de escravidão contemporânea. Cada episódio conta a trajetória de um deles e no final suas vidas são entrelaçadas.

Confira fotos dos bastidores:

thiago 4

thiago 5 thiago

No Banner to display

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados*

"Os comentários não representam a opinião do site GPSnotícias e são de responsabilidade do autor.
As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação."

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>